Arquivo da categoria 'Deficiencia'

18
Jan
10

Vida de deficiente

FATOS QUE VOCÊ DEVERIA SABER (OU NÃO) AO LIDAR, OU SIMPLISMENTE DAR (OU NÃO) PARA/COM UM (A) DEFICIENTE

FATO NÚMERO 5 – Vagas Reservadas

Suponhamos que você não tenha um braço. E seu nome seja João. Daí, você, João sem braço, sai com seu automóvel para exercer seu ímpeto consumista. Mas, você é uma pessoa apressada que não tem tempo para as mimeses da vida cotidiana. Precisa muito de algo do supermercado e não pode desperdiçar o tempo que já te falta procurando vagas no estacionamento, na rua ou esperando que alguém ceda o espaço. Aí, se depara com uma visão divina, estupenda, maravilhosa, excitante. Uma visão que pode salvar sua falta de tempo e te economizar muitos minutos da sua preciosa vida. Lá está a vaga reservada para deficientes. Triste, solitária, clamando pra que algum carro utilize-a de forma amorosa e respeitosa, você pensa. Olha o relógio e vê que seu tempo está cada vez mais curto, olha ao redor se lembra de sua alcunha, João Sem Braço, se considera um deficiente e estaciona naquela digna vaga reservada. Seu coração está calmo, sua adrenalina em níveis baixos, suas pupilas não estão dilatadas, suas mãos não tremem, seus poros não transpiram. É rapidinho, você comenta consigo mesmo. E ali, seu carro permanecerá, durante a relatividade temporal de sua pressa e o espaço que sua necessidade vaidosa ocupa.

O mundo já está cheio de “Joãos Sem braço”. Não se torne mais um aleijado social por opção, pois, mesmo assim, você não teria direito às vagas reservadas. Tais vagas existem pra serem usadas por quem realmente precisa. E não, não é aceitar esmolas ou exigir demais, é só uma forma de facilitar a famosa acessibilidade aos locais usados por todos. Ah, dúvida? Então veja como seria fácil desmontar uma cadeira de rodas em meio a dois carros*:

A não ser que você não esteja em uma situação como essa:

Pense, analise, não seja estúpido e egoísta. Respeite as necessidades e ajude a matar os “Joãos Sem braço” que existem em cada um de nós.

*O vídeo foi feito por  Rick Villar, um cadeirante engajado nas lutas a favor da acessibilidade

30
Dez
09

Vida de Deficiente

FATOS QUE VOCÊ DEVERIA SABER (OU NÃO) AO LIDAR, OU SIMPLISMENTE DAR (OU NÃO) PARA/COM UM (A) DEFICIENTE

FATO NÚMERO 4 – CRIANÇAS SÃO CURIOSAS

Seres extraordinários nossos pequenos infantes. Sem medo e vergonha a molecada pergunta e quer saber sobre tudo e todos. E quem mais apto para despertar a curiosidade do que nós, deficientes?

Basta andar na rua, ir ao supermercado, ir pra escola e ser surpreendido por um garotinho que surge do nada e pergunta pra que servem os botões da sua cadeira motorizada. E lá vou eu detalhar para o jovem aprendiz que a primeira chave liga e desliga a charanga, que a do meio é o turbo que auxilia em velocidades espetaculares e que a terceira chave pode fazer a cadeira voar, mas que só o liga/desliga tem funcionado no momento. São incansáveis e querem saber o que aconteceu, por que se é assim, se dói, se machucou e clamam para suas mães um carrinho igual aquele para elas brincarem, ainda mais se o pequeno for um protótipo de deficiente.

Um belo presente para sua filhinha se familiriazar com o outro lado da força

Não se sinta constrangido em saciar algumas dúvidas. Afinal quantas oportunidades temos de ter uma conversa sincera com alguém que realmente tenha se interessado em nossa situação, mesmo que seja uma criança? Todas essas pequenas curiosas e pequenos curiosos crescerão e formarão a futura sociedade que pode ser muito melhor para nós, ferrados de plantão, se dermos atenção a suas duvidas e mostramos que a diferença existe. Trazer a visão do respeito às diferenças para a criançada é fundamental para que a as pedras da revolução continuem rolando

20
Dez
09

Vida de Deficiente é foda (literalmente)

FATOS QUE VOCÊ DEVERIA SABER (OU NÃO) AO LIDAR, OU SIMPLISMENTE DAR (OU NÃO) PARA/COM UM (A) DEFICIENTE

FATO NÚMERO 3 – O SEXO EXISTE

Local reservado para posição "cadeirinha"

Ah, o sexo. Este ato tão sublime e prazeroso, recheado de fluídos corporais e secreções, está presente na vida na maioria das pessoas, acredite, também está na vida dos deficientes. Desde cegas de mão boba a pernetas que correm atrás de um bom rabo de saia, o sexo é praticado nas mais diversas posições e variáveis lingüísticas.

Hum, você é do tipo que acha que todo deficiente é um ser assexuado? Que só você consegue descascar a banana por enxergar, ouvir e andar? Então você precisa de uma dose maior de pornografia. Nós trepamos, e muito (dependendo da referência). Ainda se pergunta como? Espera eu abaixar minhas calças e te mostrar o meu amiguinho sem braços. Ora, fazemos sexo da mesma forma que você, com nossos órgãos reprodutores. A única diferença é que você pode estar em uma cadeira de rodas, empinando loucamente no motel mais próximo (claro se as escadas o permitir).

Camarada que descabelará o palhaço

A regra é simples: tudo depende do tesão e de não ter medo de tentar. Não sinta medo do pretendente ou da pretendente, por apenas ele não possuir um braço, ou os dois. Se ambos estiverem interessados (claro, não saia estuprando todo deficiente que você ver pela frente) e as condições permitirem, experimente um deficiente e você verá que ali não há nenhum bicho de sete cabeças, se seu parceiro for homem. Essa mesma regra vale para os camaradas e para as camaradas da companhia sexual deficitária. Conheça sua sexualidade, se descubra. Veja o que você pode fazer entre as quatro paredes e nunca se esqueça de levar o Kama Sutra edição especial para ferrados sexualmente ativos.

17
Dez
09

Vida de Deficiente é foda

FATOS QUE VOCÊ DEVERIA SABER (OU NÃO) AO LIDAR, OU SIMPLISMENTE DAR (OU NÃO) PARA/COM UM (A) DEFICIENTE

FATO NÚMERO 2 – ESCADAS SÃO INIMIGAS

Escadas exclusivas para cadeirantes

Uma das coisas que mais atormentam os deficientes, principalmente cadeirantes e muletantes, são as malditas escadas. Essas perversas inimigas da diversão são encontradas em todas as formas: Escadinhas, Escadonas, degraus e lances intermináveis, desde butecos a motéis. Trocando em miúdos, não podemos encher a cara ou transar, sem uma escada pra nos foder. Ah, você ama escadas e adora cada degrau de sua existência? Não pensaria em um mundo sem a escada para o paraíso? Fique sabendo que se para ir pro inferno tiver rampa, rapaz, parabenizo o capeta.

O que mais nos enfurecem é chegarmos a um local, público ou privado (mas de uso coletivo) e não podermos entrar por causa das nossas “amigas” escadas. É como se não existissem caras que andam sobre rodas. Se você for curioso, comece a contar a partir do momento que você sai de casa até seu destino quantos estabelecimentos possuem um invento não descoberto por muitos engenheiros e arquitetos, a famosa rampa. Garanto que serão poucos, pouquíssimos.

Engenheiros lendo este post

Mas, o que um revolucionário faria em uma hora de aperto? Rodaria de volta pra casa? Mancaria para baixo do edredom? Não, camaradas! O Inimigo existe para ser derrotado. Pegue a lista do que você precisará para “descadificar” a sociedade:

- Uma Marreta.

Agora saia marretando todo e qualquer degrau, escada e semelhantes que estejam em seu caminho para alugar um filme, comer uma pizza ou estudar.

Você não consegue nem levantar um martelinho? Não há problemas. Então seja chato. Mas muito chato. Chame o gerente, o dono ou quem quer que seja responsável pelo local, manifeste sua indignação, faça-se ouvir, mostre seu potencial como consumidor, como pagador de impostos. No fim, não se sinta constrangido. Te acharão revoltado e outras denominações, mas você fez seu papel. Agora um único grito de indignação não é suficiente, precisamos aprender a berrar mais nos ouvidos de quem se recusa a ouvir. Afinal, somos todos revolucionários.


Tentativa de dissolver uma escada com ácido sulfúrico

12
Dez
09

Vida de Deficiente é foda.

Sim, eu sou deficiente. Não que alguém tenha perguntado isso, mas eu resolvi dizer por conta própria. Já estava na hora de começar a vomitar um pouco sobre minha aleijadice. Sou um cadeirante, sim isso mesmo, um cara que vive sobre cadeiras de rodas. Isso já basta para me colocar na classe dos aleijadinhos do Brasil, sem mencionar a minha querida amiga AME que está do meu lado todo dia o dia todo tirando meu fôlego, minha cara metade (falaremos dela em um futuro próximo, se ela permitir, claro). Mas, minha idéia principal será focar nos fatos que a Globo não mostrará na saga de Luciana, o mais novo símbolo da deficiência no Brasil. Então:

FATOS QUE VOCÊ DEVERIA SABER (OU NÃO) AO LIDAR, OU SIMPLISMENTE DAR(OU NÃO) PARA/COM UM(A) DEFICIENTE

FATO NÚMERO 1 – COITADO É VÍTIMA DE COITO

Sim. Isso mesmo. Nunca, em hipótese alguma, quero dizer jamais em sua vida – a não ser que você queira ser sodomizado por um kid bengala de prótese (que é um deficiente e que pode atuar na indústria pornô pelo sistema de cotas) ou ser atropelado por um cadeirante cego – chame, qualifique ou denomine um deficiente de coitado. Não é legal, não é educado e é extremamente preconceituoso. Os motivos são simples. O deficiente já é um ferrado por natureza. Ele não precisa que você diga isso pra ele, pois ele já sabe disso. Não que ele saiba de sua “coitadisse”, mas, sim, de sua ferradez. Chamá-lo de coitado só irá negativar seu potencial revolucionário por calçadas mais rebaixadas. Coitadificar o deficiente é ter consigo o sentimento de pena por aquele pobre mudo que fala com as mãos. Você não quer isso, eu não quero isso, os outros deficientes não querem isso.

PS: Se você é deficiente e se acha um coitado, você está traindo o movimento. Se você gosta que outras pessoas sintam pena ou dó de você, você está traindo o movimento. Se você acha edificante um olhar de consternação acompanhado de um meio sorriso e uma leve balançada de cabeça, você está traindo o movimento. Portanto, pare de se autodenominar coitadinho, se aceite torto, esquálido, perna fina e zarolho. Afinal, você é assim, se aceite e tenha confiança mesclada à segurança, pois este é o primeiro passo para ser um verdadeiro revolucionário.




Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.