Acredito na cura de tudo. Mas não faço dessa minha crença, meu dogma de vida, minha religião monoteísta ou meu transporte de esperança. Simplesmente vivo e existo em algum lugar que só eu sei precisar, em meio aos devaneios da mente e as sensações arrepiantes do corpo em êxtase profundo pelo sabor da vontade de ser. Acredito que tudo poderá ser curável. Mas não acordo com isso no pensamento e não passo o dia me corrompendo com a espera que pode levar dias, meses ou anos. É estúpido desejar ser imune ao sofrimento, a dor, ao choro, a risada, ao amor. Tudo se completa e ocupa o mesmo espaço, mesmo que a física diga que não, sofrer por amor ou amar sofrer é rir e chorar com os mesmos olhos que alimentam o animal incontido no interior e deixam ser alimentados por esse mesmo animal que se sacia com pouco e muito. A partir do momento que aprendo a me enxergar, a conhecer meus sentimentos e vontades, me rascunho sem me preocupar com a arte final, apagando traços não muito claros ou traços muito repetitivos, meu corpo e mente tornam-se leves e despreocupados e começam a trabalhar em uma sincronia metafísica incrível. Essa resolução interior deve ser revisada sempre e rascunhada eternamente e com ela em mãos há a minha própria aceitação, cria-se a segurança, minha capacidade aflora e desenho caminhos lindos nos quais muitas pessoas podem se encantar e caminhar comigo em total harmonia, respeito e admiração. Então, esqueço de pequenas mazelas que achava que consumiam meu organismo tão necessitado de sensações e emoções. Como em um choque a dependência de outras pessoas se torna algo intenso e preciso, uma conexão invisível com todos os seres que me rodeiam. Ligações infinitas são feitas a cada dia, a cada hora. A minha rede se estende a seres que não conheço e anseio por saber de suas histórias e realidades. Quero tirar-lhes o sorriso, roubar-lhes as lágrimas, mas nunca curá-los por completo. Busco dividir seus sofrimentos e doenças em partículas finas e saborosas por mais amargas que sejam as matérias-primas. Busco dividir minhas dores com o mundo, com a fantasia, com a real ilusão. Almejo ser quem eu sou hoje e espero nunca ser o mesmo de ontem. Um dia, eu sei que a cura chegará, enquanto isso aprendo a saborear a dor e a cada gole de lágrima vou me curando cada vez mais.
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Cura
Aquecimento de Interesses
Copenhague parece muito mais um teatro do que uma convenção sobre o clima e como cuidar do planeta. Agora, surge com mais força uma contra-teoria ao aquecimento global e aos efeitos nocivos do CO2 na atmosfera. Só uma coisa é certa, o capital continua por trás de todas as idealizações mundiais.
Sabemos que o desenvolvimento sustentável – que leva em conta o crescimento humano, econômico e social juntamente com a preservação do meio-ambiente e uso correto dos recursos naturais – é essencial e que um desenvolvimento humano insustentável pode gerar catástrofes ambientais irreversíveis. Conhecemos o grande vilão desta história (não, não é o homem), o gás carbônico. Também conhecido como dióxido de carbono este composto químico é o principal acusado, e já culpado, de aquecer o planeta e sufocar a vida. Mas, nestes últimos dias, o professor e metereologista, Luiz Carlos Molion, com 40 anos de estudos climáticos, contesta toda a história do Aquecimento Global e, advogando a favor do CO2, diz que a terra está em um processo de resfriamento. Ao ler uma de suas entrevistas e conhecer o argumento do professor fiquei surpreso. Surpreso por parecerem argumentos racionais e lógicos, fundamentados em anos de pesquisas climáticas. Leia a entrevista completa.
O que tem me preocupado é o viés conservador e raivoso que muitos colunistas têm dado para as declarações de Molion. Molion ao defender o não Aquecimento Global e o CO2, passa uma mensagem de manipulação ideológica e política que países desenvolvidos tem imposto para atravancar o desenvolvimento dos países pobres. Isso me parece completamente viável e possível de ser feito, não sejamos ingênuos, na convenção de Copenhague, a COP 15. Molion em momento algum defende o desenvolvimento insustentável. Apenas alerta para algo que suas pesquisas mostram o contrário. Aqueles colunistas, já se apegaram às declarações do professor como uma permissão para continuar apoiando políticas imperialistas, manipuladoras e de desenvolvimento nada sustentáveis. Aproveitam para defender o Latifúndio dos grandes agroexportadores que cada vez mais avançam sobre a Amazônia e outros ecótonos de grande biodiversidade. Alegam que seu conservadorismo salvou e desenvolveu o mundo e que nada é como parece.
Então, parece que estamos, mais uma vez, rodeados pelo jogo de interesses. De um lado a estagnação planejada do desenvolvimento de países subdesenvolvidos sob uma possível mentira. De outro lado a provável verdade já é vista como absoluta por alguns. E o que realmente importa, o caminho que a humanidade tem escolhido, é sobrepujado pela mesquinharia de inúmeros aproveitadores.
Ensaio Sobre a Esperança
Sonhos paradoxos com um mundo melhor, onde não há fome, miséria, corrupção, preconceito, abismos sociais, intolerâncias e injustiças. O novo mundo almejado não possui maldade e carnificina, no neo-mundo idealizado há um trono com apenas um lugar para a rainha. A dona da coroa se chama Esperança.
A Imaginação é a projeção de nossos desejos na parede do surreal que, por sua vez, só mostra o conveniente a nossas ideologias, credos e verdades, mostrando que somos capazes de criar, manter ou destruir se nos for interessante. Preocupamo-nos em exercer a persuasão dos indivíduos de nosso convívio. Ao exalar o perfume da esperança, esperamos que este odor inebrie o mundo e seja disseminado de forma progressiva geométrica. Ao conseguir unir a esperança egoísta e metafísica, com nossas atitudes físicas, louvamos ao nosso Deus-Interior, muitas vezes ofuscado pelos Deuses-Interiores de outros seres esperançosos e também egoístas.
Esperamos que a esperança cure os males do mundo exterior e visível. Esperamos que ela seja a única a ensaiar saídas e arrependimentos. Esperamos que a rainha Esperança reine sozinha para todo sempre. Mas, na verdade, deveríamos exigir desta monarca um espaço em seu trono para que ela não reine mais solitariamente e que aprenda a dividir o assento com todos que desejam mudar e se mudar.
E Londres Chama
A velha Londres nunca mais seria a mesma após um show, por volta de 1970, em que quatro caras Americanos cantavam músicas rápidas e com poucos acordes. Eram os Ramones que traziam a novidade em forma de som. Influenciados por bandas como MC5 e Stooges, A família Ramone influenciaria jovens, e nem tão jovens assim, a participar daquele novo movimento Musical. O Punk Rock.
O “The Clash” surgiu desta mistura explosiva, jovens saturados com as condutas morais de uma época deixada de lado pela música. O Rock and Roll não rolava mais as pedras da mudança como queriam os futuros Punks do mundo. Não se falava da diferença social, do preconceito, dos excessos do capitalismo. Não se falava de política de uma forma clara para todos.
A Rainha queria ser salva por Deus, mas os Punks vinham e gritavam que Deus era apenas mais uma invenção humana. O Protesto já estava armado e as armas seriam guitarras estridentes, letras ácidas, coturnos e moicanos. Em 1979, a banda de Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Topper Headon, mostraria de forma definitiva que o Punk Rock tinha nascido para nunca mais morrer com o disco London Calling. Um LP repleto de críticas sociais e políticas que seriam o hino do caráter revolucionário de um movimento cultural. A partir de então, o Punk Rock ganharia mais e mais adeptos, mais e mais sede de revolução, mas uma revolução da consciência, de atitude e de postura frente aos conservadorismos de toda uma sociedade. O “faça você mesmo” era o lema dos usuários de calças jeans rasgadas e alfinetes. A subversão da ordem, a desobediência civil e os símbolos visuais mesclavam-se com o som e formavam uma nova identidade. Mais tarde o Punk Rock daria lugar ao Hardcore Norte Americano, numa ressonância muito mais pesada, mas como o mesmo tom politizado e urbano.
London Calling, a primeira música do álbum clássico, é um chamado a todos que se sentem excluídos. “Agora a guerra está declarada e a batalha começou”, diz. Talvez seja isso que temos buscado durante todos esses anos, um chamado, um alerta ou um aviso para que nos conscientizemos sobre o mundo a nossa volta, cheio de desigualdades e abusos. Viva o Punk! Viva o Rock! Viva as revoluções! E longa vida ao THE CLASH!
“Ignorância é Força”
Aula de português. Clima de última aula e o cansaço mental já era extremo as onze e cinquenta da manhã. Tema da redação: Mentira, ou melhor, Verdades. Inicia-se uma desanimada discussão sobre o que é verdade, se compensa sermos paladinos verdadeiros ou apenas mentir para não magoar um ente querido ou, ainda, jogarmos todos os saborosos conflitos para um canto escuro, escolher seu pedaço menos sujo, mastigá-lo ao máximo e engoli-lo, com uma boa dose de consternação.

Quando li 1984, de George Orwell, pela primeira vez, não percebi a grandeza política do escritor britânico, mas eu sabia que ali havia uma maravilhosa história, em um mundo tão real e tão inexistente ao mesmo tempo em que era passado, presente e futuro. Depois de certo período entendi o significado do Grande Irmão e de seus inúmeros ministérios. Existia um chamado “Ministério da Verdade”, ou, em “Novilíngua”, “Miniver”. O “Miniver” cuidava das verdades do Partido: Apagava a história, reescrevia o passado à sua conveniência para moldar um novo futuro baseado na mentira. Irônico, maravilhoso e aterrorizante. Era exatamente isto que Orwell queria demonstrar, as ambiguidades e contradições de todo e qualquer sistema que se torne opressor perante uma sociedade que, a partir de então, sofrerá de doenças viscerais por tempo indeterminado.
É claro que, por enquanto, não temos que nos exercitar em frente à “teletela” – que nos vigiaria dentro de nossos lares – todas as manhãs, ouvir obrigatoriamente, por meio do “comutador”, as notícias falsas do quão bom é o partido ou saber que nossa ração será racionada mais ainda. Até o momento, vivemos livremente, presos somente pelos valores sociais ou religiosos impostos por uma parcela de pessoas que ditam nossos passos, nossas opiniões, nosso pensamento. Sem querer, somos controlados pela falta de conhecimento que é a principal forma de revolução pessoal. Somos doutrinados a aceitar verdades convenientes a muito mentirosos que rezam a cartilha da hipocrisia.
Nosso “Ministério da Verdade”, hoje, fica por conta da grande imprensa brasileira. Formada por grandes jornais, revistas, concessões de televisão e portais na internet, a imprensa possui uma força extraordinária em formar opiniões através de fatos. Mas temos visto uma avalanche de manipulações destes fatos que se transformam em contos nas mãos de editores, redatores e jornalistas nada isentos. A política se mistura ao ideal privado que nunca quer ver seu poder ameaçado ou deposto e daí aciona-se o guerreiro da notícia falsa para proteger a democracia e a liberdade de expressão de um setor minoritário da sociedade. Desse modo, a grande imprensa se tornou um partido que se vende a quem pagar mais e estiver em busca de proteção para colocar seu ideário em alguma capa de revista. Este sim é o verdadeiro significado do Grande Irmão.
Leiam: 1984 – George Orwell
Vejam: 1984 (Filme baseado no romance)
Manifesto Invejo-elitista
O Rio de janeiro é infestado por marginais, cocaína e favela. O cidadão “do bem” carioca vive refém do menor infrator, da droga e das construções que empobrecem o João-Gilbertês das elites. No Rio, nada se cria, tudo se cheira e injeta. E o culpado é o poder paralelo que só destrói as famílias dos condomínios fechados e vigiados por seguranças dos morros. Tem-se de lutar contra o mal que assola o Estado carioca. Matar o bandido e encarcerar o rico no Leblon com seus shoppings e celulares cor-de-rosas. Tem-se de cercar a favela para impedir seu crescimento vertiginoso ao pão de açúcar e tomar cuidado para que o Cristo não amanheça ouvindo funk.
Não aceitamos as Olimpiadas aqui neste país miserável de mestiços sem alma e sem instrução. Não aceitamos que um presidente com menos estudo que o nosso consiga tanta simpatia e prestígio internacionalmente. Não queremos que um operário nordestino se perpetue no poder através de populismos baratos e enganadores. Queremos uma educação privada digna a todos que possam pagar, e não um gasto de bilhões que podem virar trilhões nas mãos de um semi-analfabeto e seus petralhas. Não queremos nosso povo trabalhador preocupado em sustentar Chávez e Morales, lobos comunistas disfarçados de cordeiros populares.
O que o europeu, politizado, culto e cheirando a channel 5 verá ao aterrissar na cidade marvilhosa? Nossa pobreza nua e crua ou o jeitinho brasileiro da maquiagem superficial capaz de enriquecer o miserável? E o que Norte americano, republicano e protestante dirá ao ver crianças mendigando dólares nos faróis? Teremos que enviar intérpretes às ruas para não nos acharem descuidados com nossa educação. As Drogas ameaçarão nossos visitantes. Traficantes inflacionarão seus preços causando uma crise ao consumidor brasileiro. Os barões do entorpecente descerão ao asfalto inundando nossa cidade de sombra e medo.
Portanto, devemos lutar contra tudo e todos. Usar nosso monopólio midiático para impor nossa verdade e vontade. Para incutir na mente dos desavisados o quão maléfica é esta política neo-caudilhista. Temos que defender nossa família e somente ela. É nossa missão mentir e inventar, tudo em nome do pai, do filho e Rio de Janeiro, amém.
O texto acima é obra de ficção, acredite. Toda semelhança, com a classe citada, infelizmente, não é coincidência
Uma chinelada de puritanismo
A Sociedade Brasileira nunca lidou com naturalidade a questão do sexo. Falar de sexo, para muitos, é um tabu, um ato vergonhoso que não deve ser comentado ou discutido como algo natural entre homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres. O Brasil é o país do carnaval, mas a família brasileira é conservadora e fechada, e muito disso se deve à religião. Desta vez o alvo desse tipo de família, foi um informe publicitário:
O que será que machucou tantas pessoas? Qual foi o ultraje sofrido ou a mágoa sentida que fez com que um grupo se levantasse e gritasse com uma bíblia sob os braços: Salvem nossas crianças do sexo, da libertinagem e da falta de fé!
Repulsivo eles chamam. Repulsivo uma mulher falar a palavra sexo. Repulsivo ter que sanar a dúvida de uma criança no auge de sua curiosidade e desenvolvimento cognitivo. Afirmam que o matrimonio tem que ser digno de honra entre todos, exemplificando a fórmula da felicidade amorosa, e demonizando os que preferem a casualidade de uma paixão, e um prazer. Tudo isso afeta a moral, a moral de alguns cristãos. Essa moral incrustada em nossa sociedade deixa muitos cegos e surdos ao defender ferrenhamente os preceitos divinos e não admitir nada além do que a religião ensina ou prega. Para os seguidores mais fervorosos não há ciência, não há escolha sexual, não há diversidade de pensamento.
Não percebem que o mundo evoluiu, cresceu, se informou. Que não há mais como contar para seu filho a história da cegonha e esperar que ele te veja como um ser racional. Eles querem saber como funciona, pra que serve, pra quando servirá e ninguém melhor que os pais para direcionarem o conhecimento de uma forma sadia e segura para não correrem o risco de, no futuro, se adoentarem sexualmente ou engravidarem indesejadamente – como a garotinha do segundo vídeo.
Temos muito que aprender com Marina Silva. Uma mulher íntegra e responsável que possui uma leveza nas palavras de forma cativante. Uma política racional pronta para resolver temas complexos mediante ao debate e a informação abertos ao povo, mesmo tendo suas crenças, religião e ideologias. São pessoas que veem o mundo desta forma que precisamos, e não conservadores religiosos que nada acrescentam para o desenvolvimento do contemporâneo.
Tragam a Guilhotina!
Na França de 1789 o povo assaltava a Bastilha simbolizando o começo da Revolução que faria ruir um absolutismo monárquico que adoentava um país que carecia de direitos, alimentos e liberdade para as camadas populares. Passados 220 anos do marco histórico da era contemporânea, os franceses parecem que sofrerão mais uma vez com grilhões impostos, desta vez, pela República. Aos 15 de setembro de 2009, os deputados franceses aprovaram a lei que criminaliza os downloads feitos. A lei entrará em vigor em outubro e criminalizará os usuários dos ditos downloads ilegais que, como punição, terão seu acesso a rede mundial de computadores cortado. Mas nem tudo está perdido. Um juiz dirá se o acesso será talhado ou não. Vejam como é doce a linha da liberdade.
Logo a França? Você se pergunta. Um país onde as liberdades individuais sempre foram respeitadas. Onde sempre se respeitaram os direitos civis. Onde o povo certa vez fez a maior revolução pela liberdade de todos os tempos. Sim, podemos dizer que isso tem um fundo, um fundinho de verdade. Na época de Revolução, a burguesia estava tristonha por não participar do poder. Viam que só o alto clero e os nobres participavam dos extraordinários banquetes de coelho e faisão em Versalhes. Uniram-se ao povão faminto e com o lema liberdade, igualdade e fraternidade, derrubaram Luis XVI. Finalmente o poder era do terceiro estado. Pelo menos de meio terceiro estado, já que mais uma vez o povo serviu apenas de cavalo para o cavaleiro burguês. Este ideal burguês revolucionário ficou evidente com Bonaparte que legislou a favor do liberalismo e da propriedade privada. Depois, com a primavera dos povos, tentou-se mais uma vez a derrubada de um regime que também se tornara opressivo ao povo. Mas a reação conservadora burguesa veio rapidamente e sufocou as revoltas operárias e fez desabar as barricadas francesas.
Agora, a situação é parecida com a França do século XVIII. O Estado francês mais uma vez se põe contra o povo. O lema desta vez é o ataque a pirataria. Mas será esse o verdadeiro problema que domina a sociedade francesa? Baixar as músicas de Carla Brunni não será mais possível (não que essa seja uma coisa terrível, mas todos tem o direito de ter mal gosto e de usufruir disso). Este também não é o problema. O Problema é a quem o download “ilegal” fere, a grande indústria fonográfica. Isto é óbvio. A monetarização da cultura é o grande empecilho ao acesso a ela. Não há o pensamento de disseminar conteúdo pelo simples e mais importante fato de tornar o consumidor mais aculturado e sim de vender entretenimento, seja ele nocivo ou não, e acumular mais capital. Este é dogma da grande indústria cultural hoje, seja ela musical ou visual. O artista é medido pela quantidade de vendas de livros, de CDs ou pela arrecadação de sua bilheteria, não importa o resto se você tiver pago pelo que consumiu.
O maior benefício que a internet trouxe foi a liberdade de escolha. De ter o acesso à notícia independente. De se informar de forma menos direcionada. De ler bons livros em forma de e-books. De escutar sua música preferida em mp3. Assistir a filmes no seu tocador de DVD sem sair de casa. Isso não é pirataria. Não somos criminosos que querem afundar uma indústria conservadora e fechada ao seu monopólio. A esmagadora maioria de internautas baixadores não comercializa a cultura, eles a consomem domesticamente. O problema disso é que o Estado não arrecada imposto nessa forma de acesso à cultura.
A banda Smashing Pumpkins disponibilizará seu novo cd de forma integral pela internet a partir de outubro. Algo semelhante o que fez a banda Radiohead que também disponibilizou seu trabalho de forma online e quem gostasse pagaria o que quisesse pelas músicas. Medidas interessantes e inovadoras de grupos musicais que querem sua mensagem divulgada de alguma forma e um reconhecimento por isso que não precisa ser necessariamente baseado no maldito dinheiro. Vamos torcer para que os franceses ergam barricadas e façam valer as cores de sua bandeira.
