Arquivo da categoria 'Política'

19
Dez
09

Aquecimento de Interesses

Copenhague parece muito mais um teatro do que uma convenção sobre o clima e como cuidar do planeta. Agora, surge com mais força uma contra-teoria ao aquecimento global e aos efeitos nocivos do CO2 na atmosfera. Só uma coisa é certa, o capital continua por trás de todas as idealizações mundiais.

Sabemos que o desenvolvimento sustentável – que leva em conta o crescimento humano, econômico e social juntamente com a preservação do meio-ambiente e uso correto dos recursos naturais – é essencial e que um desenvolvimento humano insustentável pode gerar catástrofes ambientais irreversíveis. Conhecemos o grande vilão desta história (não, não é o homem), o gás carbônico. Também conhecido como dióxido de carbono este composto químico é o principal acusado, e já culpado, de aquecer o planeta e sufocar a vida. Mas, nestes últimos dias, o professor e metereologista, Luiz Carlos Molion, com 40 anos de estudos climáticos, contesta toda a história do Aquecimento Global e, advogando a favor do CO2, diz que a terra está em um processo de resfriamento. Ao ler uma de suas entrevistas e conhecer o argumento do professor fiquei surpreso. Surpreso por parecerem argumentos racionais e lógicos, fundamentados em anos de pesquisas climáticas. Leia a entrevista completa.

O que tem me preocupado é o viés conservador e raivoso que muitos colunistas têm dado para as declarações de Molion. Molion ao defender o não Aquecimento Global e o CO2, passa uma mensagem de manipulação ideológica e política que países desenvolvidos tem imposto para atravancar o desenvolvimento dos países pobres. Isso me parece completamente viável e possível de ser feito, não sejamos ingênuos, na convenção de Copenhague, a COP 15. Molion em momento algum defende o desenvolvimento insustentável. Apenas alerta para algo que suas pesquisas mostram o contrário. Aqueles colunistas, já se apegaram às declarações do professor como uma permissão para continuar apoiando políticas imperialistas, manipuladoras e de desenvolvimento nada sustentáveis. Aproveitam para defender o Latifúndio dos grandes agroexportadores que cada vez mais avançam sobre a Amazônia e outros ecótonos de grande biodiversidade. Alegam que seu conservadorismo salvou e desenvolveu o mundo e que nada é como parece.

Então, parece que estamos, mais uma vez, rodeados pelo jogo de interesses. De um lado a estagnação planejada do desenvolvimento de países subdesenvolvidos sob uma possível mentira. De outro lado a provável verdade já é vista como absoluta por alguns. E o que realmente importa, o caminho que a humanidade tem escolhido, é sobrepujado pela mesquinharia de inúmeros aproveitadores.

16
Out
09

As lutas do MST

Acordo cedo. Escovo os dentes. Recebo um beijinho de mamãe que prepara meu café com leite enquanto procuro o que assistir na televisão. Nesta procura paro na Globo e vejo uma enorme plantação de laranja e um minúsculo trator derrubando vários pés da fruta que estavam perfeitamente enfileirados. Inconscientemente pensei no MST e logo fui informado pelo maravilhoso jornalismo democrático Global da seguinte forma:

Chocante e criminoso, diz Alexandre Garcia, o comentarista político-social global. Eu adoraria vê-lo derrubando um pé de alface com seu tratorzinho e ser levado em uma camisa de força e uma mordaça para parar de falar idiotices espumadas em um ódio cego e unilateral. Mas garanto que o MST não aceitaria um militante como Alexandre, pelo bem do movimento.

Quem é o bandido? Os camisas vermelhas que derrubam pés de laranja. Quem é o mocinho? O dono da Cutrale que vai ter que plantar com o suor de seu rosto e calos das mãos mais pés de laranjas em terras griladas da União. Terras que não pertenciam a um dos empresários mais ricos do mundo e que contou com a herança latifundiária e monocultureira brasileira. Daí se diz que as laranjas e a terra são um bem da nação. Claro, para a nação da Citrosuco. E segue o discurso: “É preciso investigar os interesses escusos do Movimento Sem-Terra; É preciso saber da onde vem o dinheiro das quentinhas que alimentam os militantes; (Não) É preciso investigar os grandes latifundiários que concentram a produção e acabam com a agricultura familiar; (Não) É preciso saber de quem são as terras, se privadas ou públicas. (Não) É preciso revisar os índices de produtividade que datam de 1975 e que dão margem a improdutividade e concentração por parte do Agronegócio.”

mst

A Reforma Agrária e o pequeno produtor

Diz a CPT (Comissão Pastoral da Terra) que com a renovação dos índices, 400 mil propriedades – correspondendo a “10 % das propriedades rurais, embora ocupem 42,6% das terras” – sejam revisadas. Por esse número se vê a latente concentração fundiária que nada produz a não ser pobreza e conflitos sociais (vistos como caso de polícia). Após saber desta declaração da CPT, conversei com Seu Ademir, um pequeno produtor de laranja do interior de São Paulo que teve parte de suas posses invadidas por uma grande Agroindústria do ramo canavieiro. Terras, estas, de legítima propriedade do pequeno produtor com escritura e documentação completa. Vejam a grande farsa da História, este produtor se parece muito com o MST apesar de plantar laranja.

O poderio latifundiário exerce uma pressão cada vez maior na agricultura familiar. O agricultor de subsistência ou de pequeno excedentes chega a se encontrar em situações que para sobreviver precisa arrendar seus alqueires a Agroindústria, aumentando assim a desigualdade social e a concentração de terra. Seu Ademir terá que entrar na justiça para provar que as terras são dele. Terá que desembolsar um valor que não possui enquanto a Agroindústria nomeia os melhores advogados para defender um processo genuinamente criminoso. E o mais triste da história é que Seu Ademir é contra a Reforma Agrária. Como diz o Professor Judeu: “Não aceita a idéia de que como “Terráqueos” todos deveriam ter sua porção de terra para morar e/ou plantar”

05
Out
09

Manifesto Invejo-elitista

O Rio de janeiro é infestado por marginais, cocaína e favela. O cidadão “do bem” carioca vive refém do menor infrator, da droga e das construções que empobrecem o João-Gilbertês das elites. No Rio, nada se cria, tudo se cheira e injeta. E o culpado é o poder paralelo que só destrói as famílias dos condomínios fechados e vigiados por seguranças dos morros. Tem-se de lutar contra o mal que assola o Estado carioca. Matar o bandido e encarcerar o rico no Leblon com seus shoppings e celulares cor-de-rosas. Tem-se de cercar a favela para impedir seu crescimento vertiginoso ao pão de açúcar e tomar cuidado para que o Cristo não amanheça ouvindo funk.

Não aceitamos as Olimpiadas aqui neste país miserável de mestiços sem alma e sem instrução. Não aceitamos que um presidente com menos estudo que o nosso consiga tanta simpatia e prestígio internacionalmente. Não queremos que um operário nordestino se perpetue no poder através de populismos baratos e enganadores. Queremos uma educação privada digna a todos que possam pagar, e não um gasto de bilhões que podem virar trilhões nas mãos de um semi-analfabeto e seus petralhas. Não queremos nosso povo trabalhador preocupado em sustentar Chávez e Morales, lobos comunistas disfarçados de cordeiros populares.

O que o europeu, politizado, culto e cheirando a channel 5 verá ao aterrissar na cidade marvilhosa? Nossa pobreza nua e crua ou o jeitinho brasileiro da maquiagem superficial capaz de enriquecer o miserável? E o que Norte americano, republicano e protestante dirá ao ver crianças mendigando dólares nos faróis? Teremos que enviar intérpretes às ruas para não nos acharem descuidados com nossa educação. As Drogas ameaçarão nossos visitantes. Traficantes inflacionarão seus preços causando uma crise ao consumidor brasileiro. Os barões do entorpecente descerão ao asfalto inundando nossa cidade de sombra e medo.

Portanto, devemos lutar contra tudo e todos. Usar nosso monopólio midiático para impor nossa verdade e vontade. Para incutir na mente dos desavisados o quão maléfica é esta política neo-caudilhista. Temos que defender nossa família e somente ela. É nossa missão mentir e inventar, tudo em nome do pai, do filho e Rio de Janeiro, amém.

O texto acima é obra de ficção, acredite. Toda semelhança, com a classe citada, infelizmente, não é coincidência

30
Set
09

A última lágrima negra

Ouro, ouro negro. Da cor do Kuwait, Afeganistão, Iraque, Nigéria e de tantos outros escravizados pelo imperialismo do desenvolvimento humano. Machucados pela corrida do domínio político e econômico desumano e inconsequente que empobrece e adoenta toda e qualquer sociedade. Os agentes da guerra petrolífera, ao sujarem suas mãos de óleo, sujam-se também de sangue e miséria.

A Primeira revolução industrial, século XVIII, fez com que o mundo mudasse seu rumo completamente. Foi superado o sistema agrícola por um novo que faria surgir uma nova sociedade. Na qual homens, mulheres e crianças trabalhariam nas mais insalubres instalações para que o capitalismo florescesse no seu mais novo modo operante. Além da famosa invenção de Watt, a máquina a vapor, o progresso trouxe a necessidade de se utilizar das fontes de energias naturais para seu desenvolvimento, neste caso seria o carvão o combustível para alavancar a indústria que nascia. Mais tarde o carvão não seria o único a figurar como símbolo do desenvolvimento, já que os homens da grande indústria haviam descoberto outra fonte de energia, o petróleo.

Com o desenvolvimento deste novo mundo, industrializado e promissor, costurado com tecido inglês, desenvolvia-se também a necessidade de lucro cada vez maior. Isso só seria possível com a busca dos novos mercados produtores e que também oferecessem os recursos necessários para a produção. A partilha da África e da Ásia entre potencias imperialistas foi um dos exemplos da insensatez e megalomania humana que teve como consequência a primeira guerra mundial. Depois, Hitler ao violar Versalhes e se militarizar, mostrava que a depressão de 1929 possibilitaria qualquer plano nacionalista com discurso revanchista para também anexar áreas importantes do ponto de vista industrial.

Nos anos 70 a briga pelo petróleo se acirrou, em principal no oriente médio, maior produtor de barris de petróleo no mundo. Países como a Arábia Saudita e Kuwait nacionalizaram suas reservas, e já faziam parte, junto com Venezuela, Irã e Iraque, da OPEP, criada para lutar contra o cartel conhecido como “Sete Irmãs” que controlava a produção e os preços dos barris. A Saga dos Bush começa em 1990 com a Guerra do Golfo e tem seu fim com a invasão do Iraque. Um mesmo inimigo e um único interesse, possuir o controle do petróleo. Esta é a história que permeia a sociedade tão capitalizada e tão desenvolvida.

Brasil

A Petrobrás é a maior responsável pela extração e refino de petróleo brasileiro atualmente. Uma das empresas que mais crescem no mundo, com um lucro, em 2008, aproximados a 36 bilhões de reais. Ao contrário do que muitos dizem, a empresa possui todas as condições para a prospecção no pré-sal. A importância dos novos marcos regulatórios que definirão os direitos sobre o óleo, garantido o monopólio à União pela Constituição Federal, é de extrema importância assim como a paralisação de sua privatização e a criação de um fundo social soberano, para que o dinheiro advindo da venda do petróleo seja revertido à população brasileira na melhoria dos recursos do estado como educação, saúde, trabalho, dentre outros. E isso será capaz mesmo com 62% de suas ações sendo de capital privado, já que o governo possui 51% das ações de voto. Porém, com toda a riqueza que este recurso pode gerar, devemos pensar nas duras consequências ambientais que seu uso trouxe e pode trazer. Já é hora de termos consciência de desenvolver tecnologias que dependam cada vez menos dos recursos fósseis e não renováveis, fontes extremas de poluição e desenvolvimento insustentável. Talvez seja essa a função do Brasil nos próximos anos, desenvolver-se como país mais igualitário e com menos lacunas sociais e procurar caminhos sustentáveis e limpos para a produção de energia, tudo isso com a riqueza do Pré-sal. Será, então, a primeira vez que o petróleo gerará um verdadeiro desenvolvimento.

22
Set
09

Bolsa Família


Há pouco tempo esse vídeo foi destaque em muitos blogs de entretenimento. O jovenzinho que o editou deve ter se sentido como o homem que desmascarou Lula e sua demagogia. Muitos animaizinhos inconsequentes, inocentes e desinformados pra cacete, que viram o vídeo, esbravejaram nos comentários coisas que engoliram da grande mídia corporativista e elitista do Brasil, principalmente de São Paulo. São os novos revoltadinhos da era digital. Só seria melhor ainda se citassem Diogo Olavo de Carvalho Mainardi como seu mestre. Mas, felizmente, ainda há leitores que analisam o contexto atual e sabem distinguir uma simples manipulação de algo realmente fundamentado em bases sólidas.

Se o vídeo é visto desta forma editada, tendemos a crer que o Lula mais uma vez cospe pra cima, o que não é o caso. Agora se prestarmos atenção, vemos que o vídeo de 2000, Lula se refere não a programas sociais como o Bolsa Família, mas sim a assistencialismos em época eleitoral. Ah, como os olhos da paixão deixam cegos os amantes…

Contudo, O Bolsa Família é realmente uma alternativa à erradicação da miséria?

Welfare State – O Estado de Bem-Estar Social

Uma das maiores proezas do capitalismo foi o advento da classe social. Prima um pouco mais bonitinha da sociedade estamental, a sociedade de classes, em sua tese, permite a ascensão de indivíduos ao topo da pirâmide. Ou seja, o morador de Heliópolis pode se tornar tão rico quanto o proprietário de uma bela mansão no Morumbi. Sim, claro que isso pode acontecer. Como? Oras, trabalhando! Evidente que não é assim que a história acontece.

Em sua prática, o capitalismo promove muito mais desigualdades do que equalidades. Com certeza o morador do Morumbi possui um belo plano de saúde privado para cuidar da saúde de seus familiares no momento que for necessário. Já o morador de Heliópolis, se estiver empregado, torce todo dia para não sofrer nenhum acidente, pois sabe que a saúde pública, de quem irá depender, já anda doente faz tempo. O jovem herdeiro da mansão no Morumbi estuda em uma das melhores escolas privadas da grande São Paulo e já se prepara para ingressar na faculdade estatal, enquanto o jovem morador de Heliópolis torce para que a aula, no ensino público, termine logo para poder chegar a casa e dormir pra descansar do longo dia de trabalho. Mas uma coisa eles tem em comum, são cidadãos de um mesmo Estado e que pagam seus impostos. Porém, parece que o Estado está mais presente na vida do rico do que na do pobre. O primeiro tem acesso à saúde, à educação, à moradia, ao trabalho e à cultura, de uma forma muito mais fácil que o segundo. Se racionalizarmos o problema veríamos que isso não deveria ocorrer. Ambos deveriam ter as mesmas oportunidades e probabilidades de sucesso. E é aí que o Welfare State se faz necessário. Formando uma organização política e econômica na qual o Estado se torna o provedor e defensor dos serviços públicos como escolas, hospitais e até mesmo uma renda mínima ao cidadão.

O Bolsa Família

Unificou as chamadas transferências de rendas, criadas na gestão de FHC. Muito se diz sobre quem criou o projeto ou quem foi o precursor do programa. E muitas das mesmas correntes que pregam contra o bolsa família desconhecem suas raízes e o que ele pode fazer para atenuar a miséria no país. Os neoliberais, ferrenhos opositores da intervenção no estado na economia e eternos demagogos usurpadores, demonizam o programa como sendo “ajuda a vagabundo” ou que “brasileiros não pararão de ter filhos para poder receber por suas cabeças”. Só se esquecem que quem socorre suas multinacionais à beira da falência é sempre o bondoso Estado. Então, podemos encarar o programa como uma medida de bem-estar social, a partir do momento em que o Estado Brasileiro não o encare como um ônus de Estado e sim como um investimento social que possa trazer benefícios reais a população que o utiliza, se transformando em um ciclo de geração de renda. Mas é evidente que somente o Bolsa Família não sanará as desigualdades de um país historicamente recortado socialmente.

Se quisermos um Brasil cada vez menos desigual é melhor pensarmos mais em um Welfare State em proporções Latinas que integre a América do Sul com a visão de investimentos maciços em educação, saúde, trabalho e cultura para que em um futuro próximo tenhamos todos os cidadãos com oportunidades reais, igualitárias, com menos diferenças de classes, mas nunca com a visão de que o fim para por aí.




Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.